Nova tarifa de 50% sobre produtos brasileiros nos EUA terá impacto principalmente nos consumidores americanos, e não no Brasil, apesar do alarde da mídia.
No próximo 1o de agosto passará a vigorar o imposto de 50% para os produtos brasileiros importados pelos USA, cumprindo determinação do Presidente Trump de penalizar nosso País. Antes de todo o alarde feito pela mídia brasileira preocupada com o futuro do Brasil, é fundamental a resposta a essa pergunta: Quem pagará essa conta?
Vamos fazer uma analogia simples com o trigo. O Brasil consome 11 milhões de toneladas por ano, e produz apenas 6 milhões importando os restantes 5 milhões. 83% das importações são provenientes da Argentina, e são taxadas com alíquota zero. Ora, considerando que o presidente do Brasil não tem boas relações com o presidente da Argentina, imaginemos que decide “penalizar nosso vizinho, aumentando a alíquota do trigo para 50%. O Brasil continuará a importar o trigo, certamente da mesma Argentina, que tem este produto em abundância e que é o mais próximo produtor. Eu, você, e todos os brasileiros pagarão muito mais caro pelo nosso pão de cada dia, pois as padarias pagarão 50% a mais pelo trigo utilizado, e certamente aumentarão seus preços para o consumidor. Assim, o grande e único prejudicado pelo hipotético aumento do imposto de importação do trigo será o povo brasileiro.
O imposto de importação incide obviamente sobre os produtos importados pelo País. Assim, se Trump elevar a alíquota deste imposto em 50% para todos os produtos brasileiros, o consumidor americano é o único que pagará este preço.
Portanto, para que tanto alarde aqui no Brasil sobre as fanfarronices do Trump? Sim, é verdade que para alguns produtos industrializados a análise não pode ser tão superficial mas a conclusão é similar. Aviões da Embraer: São montados no Brasil, mas utilizam turbinas Pratt & Whitney, importadas completas dos EUA, além de uma imensa variedade de fornecedores internacionais para peças e software de suas aeronaves, abrangendo desde motores e sistemas eletrônicos até componentes estruturais e softwares de gestão. Até mesmo a Turkish Aerospace (TUSAŞ) é uma parceira estratégica da Embraer na exploração de oportunidades de produção e desenvolvimento de soluções inovadoras. Assim, ao aumentar em 50% a alíquota de importação de aviões da EMBRAER, Trump aumenta os tributos das turbinas fabricadas nos USA, e as passagens aéreas americanas aumentarão de preço para o consumidor americano.
É verdade também que até que os mercados internacionais se ajustem às novas alíquotas do maior importador do mundo – os USA – ocorrerão alguns ajustes locais. Se a importação de carne brasileira for reduzida, teremos picanha mais barata no Brasil, o que também ocorrerá com suco de laranja, aço, e outros produtos, até que se configurem novos mercados para absorver tais produtos, sendo a China o mais evidente.
Portanto, quem pagará a conta dos impostos Trump? Resposta: Os mesmos americanos que o elegeram.